Tráfico passa a cobrar taxas de até R$ 4 mil de comerciantes em Madureira - Baixada Viva Notícias

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Tráfico passa a cobrar taxas de até R$ 4 mil de comerciantes em Madureira

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O tráfico do Complexo da Serrinha, em Madureira, na Zona Norte do Rio, passou a cobrar uma taxa mensal de estabelecimentos comerciais do bairro. 

A denúncia foi feita, há dois meses, por representantes dos lojistas da região no 9º BPM (Rocha Miranda), responsável por patrulhar a área. 

Donos de estacionamentos no entorno da Avenida Ministro Edgard Romero têm que pagar R$ 4 mil por mês aos criminosos. 

Já o valor cobrado de cada loja da via chega a R$ 200.

Segundo a PM, as cobranças foram determinadas por Walace de Brito Trindade, o Lacoste, chefe do tráfico da Serrinha. 

Comerciantes estimam em R$ 100 mil o valor mensal arrecadado pelos criminosos. 

Até as táticas de intimidação usadas pelos traficantes para forçar os lojistas a fazer os pagamentos.  

Em 3 de dezembro de 2019, um homem armado entrou num centro comercial cujos lojistas relutavam em pagar os R$ 4 mil estipulados. 

Ele deu uma rajada de tiros com uma pistola numa das paredes do estacionamento do local — que ficou fechado por duas semanas. 

No mês seguinte, uma reunião entre os comerciantes terminou com a decisão unânime de começar a pagar a taxa: todos ficaram com medo de ter que fechar o local caso se recusassem a entregar o dinheiro.


Em meados do ano passado, uma funcionária de um estacionamento cujo dono tentava negociar uma diminuição no valor pago foi levada de seu local de trabalho por criminosos armados numa moto. 

Por telefone, os traficantes avisaram: se o pagamento não fosse feito na íntegra, a mulher não seria liberada. 

O empresário segue pagando R$ 4 mil por mês.


Os traficantes estabeleceram um ritual para o pagamento da taxa. 

Os valores são pagos em dinheiro, que deve ser colocado num envelope. 

Crianças que moram na favela são enviadas aos estabelecimentos pelos traficantes para recolher as quantias.

Na região, o clima é de terror. Comerciantes e representantes dos lojistas foram entrevistados sob a condição de anonimato. 

Pelo menos um funcionário pediu demissão após ser abordado por criminosos armados em seu local de trabalho.

Tráfico da Serrinha ostenta armas na internet Foto: Reprodução

Com o acordo fechado, um antigo morador da Serrinha, que havia sido expulso da favela e conseguiu refúgio no Morro do Fubá, voltou à região e propôs a Lacoste que a cobrança fosse instituída. 

Uma série de operações da PM na Serrinha causava prejuízos à facção. 


Lacoste, então, autorizou que Macarrão replicasse o modelo em Madureira, mas de forma mais discreta. 

No início, só estacionamentos da Rua Andrade Figueira, mais próximos da favela, pagavam as taxas. 

Hoje, as cobranças já se estendem por 15 quarteirões, de Vaz Lobo a Madureira.


Lacoste é um dos traficantes mais procurados do Rio Foto: Reprodução

A Corregedoria da PM também investiga as relações entre Lacoste e uma ex-soldado do 9º BPM. 


Um oficial denunciou, em depoimento, que a PM “possuía um relacionamento afetivo com o traficante, tendo inclusive sido presenteada com um veículo novo por ele”.


Denúncia no batalhão

A denúncia sobre as cobranças foi feita numa reunião entre representantes de lojistas da região com integrantes do comando do 9º BPM em janeiro deste ano. 

Os comerciantes decidiram procurar a polícia após o episódio dos tiros disparados por um traficante dentro do estacionamento de um centro comercial na região.

Em fevereiro deste ano, Lacoste foi denunciado à Justiça por ter mandado seus comparsas matarem um homem acusado pelo pai de uma criança de 10 anos de ter tentado estuprar a menina na favela. 

Os traficantes passaram com um carro sobre as pernas da vítima, que conseguiu sobreviver.

Na semana passada, Lacoste sofreu um revés. Uma facção rival invadiu o Morro do Dezoito, dominado por seu bando, e o Saçu.


Fonte: Jornal Extra

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