Covid-19: infectologista diz que a medida mais sensata seria ter cancelado o carnaval - Baixada Viva Notícias

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Covid-19: infectologista diz que a medida mais sensata seria ter cancelado o carnaval

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A polêmica sobre uma possível propagação da COVID-19 nas capitais brasileiras durante o carnaval ganhou força na última semana. Mas, afinal, o novo coronavírus estava ou não presente no Brasil durante a folia? Consultamos a Sociedade Mineira de Infectologia (SMI).

Para o presidente da entidade, Estevão Urbano Silva, é possível que o vírus já estivesse circulando pelo país no fim de fevereiro. 

“A suspeita é factível, ela é real. Mesmo que em um nível pequeno”, afirma. No entanto, sem dados oficiais, a análise, segundo o especialista, é reservada ao universo das hipóteses.

O carnaval no Brasil este ano ocorreu entre 22 e 25 de fevereiro. Na véspera do início da folia, o país tinha apenas um caso suspeito da doença e havia descartado outros 51. 

Naquele momento, o vírus, que já estava presente em 26 países, incluindo Estados Unidos e Europa. 

Na ocasião, a COVID-19 tinha infectado 1,2 mil pessoas fora da China e provocado a morte de oito pacientes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). 


No país asiático, onde o vírus surgiu, os números eram assustadores: 75.569 pessoas infectadas e 2.239 mortes.

É com base nesse cenário mundial que o infectologista acredita que a medida mais sensata, lá atrás, considerando apenas a questão da saúde, deveria ter sido cancelar o carnaval. 

“O ideal é que não tivesse acontecido, mas avaliando o cenário de investimento econômico e social em torno dessa festa, aí é uma definição muito difícil para os gestores públicos”, avalia Estevão, que não considera o melhor caminho criticar e tentar responsabilizar os governantes por autorizar a folia.

“Acho que é difícil de a gente fazer qualquer crítica pensando em todos os fatores que estão envolvidos”, comenta.

A confirmação do primeiro caso em território brasileiro ocorreu somente em 26 de fevereiro, quarta-feira de cinzas. 

A vítima era um homem de 61 anos, que estava internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Ele tinha retornado de viagem para Itália, quando o país já registrava alto índice de infecção. 


Naquele momento, era do exterior que vinha o maior risco de transmissão no Brasil. 

Tanto que os casos suspeitos registrados no país estavam todos relacionados a pessoas que tinham viajado para países onde o vírus já circulava.

Para o infectologista, às vésperas do carnaval, quando o país recebe muitos turistas vindo de fora, a medida mais segura teria sido fechar os aeroportos para estrangeiros. 

“Todas as ações que pudessem ser feitas no sentido de reduzir esse trânsito de turistas. Seja por visita, seja por férias, seja por negócios. Todas elas caberiam e poderiam ter sido úteis”, afirmou. 

As fronteiras aéreas do Brasil só foram totalmente fechadas para estrangeiros em 27 de março, quando o país registrava mais de 3,4 mil casos e tinha 92 mortos pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2). 

“Agora tudo é hipótese. Tudo que você falar pode estar correto e também errado, então, a análise fica prejudicada”, ressalta o infectologista.


Para fazer uma avaliação responsável, segundo Urbano, seria necessário dados mais concretos, como, por exemplo, confirmar que veio turista infectado e que ele passou o vírus para outras pessoas. 

“Nós teríamos que ter uma pessoa que veio do exterior, positivou, foi pro carnaval e contaminou outras pessoas no carnaval. 

Ela seria o caso índice, e, depois os que os contatos dela no carnaval também viraram positivo. Se você tem essa relação de causa e efeito, não tem dúvida”, explicou.

ERRO DE DIAGNÓSTICO

Mesmo que hipoteticamente o carnaval tivesse sido um dos focos de propagação do vírus no Brasil, o problema não poderia ser creditado somente aos turistas estrangeiros. Brasileiros infectados, mas que negativaram em testes, podem ter saído por aí espalhando o vírus. 


“Erro de diagnóstico naquele momento inicial não é só possível, como muito provável. 

Nós todos estamos aprendendo a lidar com esse vírus agora. Os testes estão ficando mais confiáveis agora”, explica o especialista.

Para ele, os falsos negativos impediram o isolamento precoce de pessoas que saíram distribuindo o vírus sem saber. 

Entre os desafios de combate à disseminação do novo coronavírus, está o tempo que o vírus pode ficar no corpo sem manifestar sinais. “Ele pode ficar até 14 dias assintomático. 

Os portadores assintomáticos são até a maioria. E é aí que mora o perigo, a pessoa está distribuindo carga viral e a pessoa não tem sintomas”, explica Urbano.

Hoje, a comunidade médica sabe que para assegurar a eficácia dos resultados é preciso fazer o teste no momento certo. 

“Geralmente, quando a pessoa tem sintomas, ali entre o terceiro e quarto dia, é o momento ideal para fazer o swab (um tipo de cotonete) do nariz para isolar o vírus. 

Este é o exame que a gente chama de PCR,” explica o médico. 

Passado esse momento, só resta mais uma janela de possibilidade com maior índice de acerto. 

“A partir do sétimo a oitavo dia de sintomas começa a ficar positivo o exame de sangue, que é a sorologia. Aí, neste caso, não é mais o vírus, é o anticorpo contra o vírus”, detalha.


Fonte: O Estado de Minas




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