Filha de enfermeira que morreu de Covid-19 sugeriu que a mãe mudasse de emprego: 'Ela quis continuar cuidando de vidas' - Baixada Viva Notícias

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Filha de enfermeira que morreu de Covid-19 sugeriu que a mãe mudasse de emprego: 'Ela quis continuar cuidando de vidas'

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Juliana ao lado das duas filhas, por quem nutria grande amor — Foto: Marcela Alessandra/Arquivo Pessoal



Marcela Alessandra Silva Lopes carrega consigo o sentimento de luto, mas também um grande orgulho da mãe: a auxiliar de enfermagem Juliana Norberto da Silva, de 40 anos. 


Neste período de pandemia do novo coronavírus, ela se dedicou a cuidar da própria vida e também de outras pessoas.

Mãe de duas filhas, Juliana era funcionária da Santa Casa de Santa Isabel e morreu na quinta-feira (28), vítima de Covid-19. 

Ela foi a segunda funcionária da unidade a morrer por causa da doença. 

No último dia 15 de maio foi confirmada também a morte do diretor de enfermagem da Santa Casa, Hueber Pereira Santiago.

Em contato com o G1, a filha lembrou a grande paixão que Juliana tinha pela atividade que exercia. 

Marcela, que tem 20 anos, conta que chegou até a sugerir que a mãe mudasse de emprego, por causa da preocupação com a situação atual de pandemia, mas o amor pela profissão falou mais alto.


"Eu cheguei a falar para ela uma vez, quando tudo isso começou, para ela poder sair de lá e não correr risco de vida. 

Depois que passasse, ela procurava um outro serviço nessa área, mas ela não quis. Ela quis continuar cuidando de vidas lá. Ela era orgulhosa nessa parte. Não queria deixar de cuidar da vida das pessoas".

O amor de Juliana pela área da saúde era de longa data. Marcela conta que houve um período em que a mãe conciliava o trabalho com o curso de auxiliar de enfermagem, até que ela conseguiu um emprego para trabalhar na Santa Casa, onde ficou por 11 anos.

"Minha mãe amava essa profissão. Não era de faltar, sempre cumpria com seu dever. Ela lutou muito para chegar aonde chegou, e nós sempre ficamos do lado dela, pedindo para ela não desistir dos sonhos. 

Tinha paciente que sempre ia lá, levava as coisas para agradecer, como chocolate, flor, de tão bem que ela tinha cuidado do paciente. E sempre chegavam em mim e falavam: nossa, a Juliana é sua mãe? Ela cuidou de mim na Santa Casa. É um amor de pessoa". Segundo a filha, Juliana tinha problema de pressão alta.


Marcela conta que houve um dia em que a mãe começou a sentir muita dor de cabeça, mas que ela normalmente tinha enxaquecas.


"Ela tomou o remédio e começou a inchar. No outro dia ela foi trabalhar e, mais tarde, depois do plantão, ficou para passar no médico. 

O médico fez os exames, e só tinha dado um pouco de anemia. Mas eu acredito que ela já tinha feito o teste também e constou também que ela tinha alergia ao remédio que tinha tomado".

No dia seguinte, Juliana estava de folga do trabalho. Marcela diz que a mãe já estava melhor e havia desinchado, mas, à noite, começou a ter febre e dores no corpo.

"No outro dia ela iria trabalhar. A gente falou para ela não ir trabalhar, para ficar em casa e se recuperar, mas ela não quis faltar. Pedimos para que ela ligasse na hora do almoço para sabermos se já estava melhor. 

Ela ligou falando que já tinha ficado internada lá mesmo, porque estava começando a sentir um pouco de falta de ar. Então ela ficou internada, e nós não a vimos mais".


De acordo com a filha, Juliana foi internada na Santa Casa no dia 7 de maio. Nos primeiros dias, a família ainda conseguiu manter contato com ela por ligações e conversas por vídeo. 


Marcela conta que a mãe foi transferida para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no dia 11 e, na manhã do dia seguinte, foi entubada.

"A partir daí, não conseguimos mais conversar com ela. Havia dias em que eu mandava mensagem para o médico para saber como ela estava. 

Depois comecei a ir lá para conversar com o médico. Eu a via pelo vidro, mas nunca cheguei a vê-la acordada. 

Ela sempre estava dormindo, inconsciente. Até anteontem eu fui lá, que foi quando a vi pela última vez".


Com informações do G1

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