'Minha mãe é...maravilhosa' é escrito em trabalho escolar por menino morto pela mãe - Baixada Viva Notícias

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'Minha mãe é...maravilhosa' é escrito em trabalho escolar por menino morto pela mãe

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Rafael Mateus Winques foi morto e mãe confessou o crime — Foto: Divulgação/Polícia Civil

O caso

No dia 15 de maio, a mãe de Rafael, Alexandra Dougokenski, comunicou ao Conselho Tutelar que o filho teria desaparecido.

“Diversas pessoas se mobilizaram durante 10 dias procurando: colegas de escola, professores, amigos, conhecidos, familiares”, afirma a promotora.

A mãe chegou a dar uma entrevista à RBS TV dizendo que queria o filho de volta em casa.

“Tudo que a família quer é noticias do Rafael. É o Rafael em casa de novo. Porque tá todo mundo desesperado.”

As autoridades, no entanto, começaram a desconfiar do comportamento da mãe. 

“Chamava atenção, inclusive, o controle emocional que ela mantinha naquela situação”, acrescenta a promotora.

“A Alexandra em momento algum derrubou uma lágrima”, relata Jaqueline Souza Nesnerovicz, mãe do melhor amigo de Rafael.

Depois de algumas contradições, 10 dias após anunciar o desaparecimento, a mãe confessou que havia dado medicamentos ao filho. Segundo ela, ele estava agitado e, por isso, deu dois comprimidos de um remédio para controlar a ansiedade.

"Ela confessou pra nós, a princípio, que havia ministrado medicação em excesso e, depois de verificar que a criança não tinha mais sinais vitais, ela teria preparado aquela amarração pra carregar o corpo até o local em que deixou”, descreve o delegado Ercílio Carletti, que conduz a investigação em Planalto.

Laudo aponta esganadura; defesa nega

Rafael morava com a mãe e o irmão mais velho, de 16 anos, em uma casa. 

De acordo com as investigações, após constatar que o filho havia morrido, Alexandra arrastou o corpo do menino até outra residência próxima, que estava desocupada.

Um laudo preliminar do Posto Médico-Legal de Carazinho indicou que Rafael morreu por asfixia mecânica por estrangulamento. 

A polícia trata o caso como um homicídio doloso e aguarda os demais laudos do Instituto-Geral de Perícias.

“Ela vai no quarto, o menino com a boca roxa, gelado, sem batimentos. Eu acredito que pelo medo, decide ocultar o cadáver”, comenta Jean Severo, advogado de Alexandra. 

“Pra tirar o corpo do menino do quarto, ela precisou tirar essas cordas, e machuca um pouco o pescoço. Não houve esganadura. Se ela tivesse dolo, teria as mãos no pescoço, que é a esganadura. Não é o caso”, garante.

De acordo com o presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais, Marcos de Almeida Camargo, dois comprimidos de ansiolítico seriam insuficientes para matar a criança.

“Em que pese o fato de se considerar ser uma criança, de não ser um adulto, mesmo assim, a princípio, teria que ser uma quantidade de comprimidos muito maior para que você tivesse uma morte mais rápida — não digo instantânea —, que não desse sequer tempo de tentar algum tipo de socorro.”

Participação de terceiros é investigada

Isaíldes Batista, avó de Rafael e mãe de Alexandra, admitiu que tinha o medicamento citado pela filha. Os comprimidos de Diazepam seriam de outro filho dela, irmão de Alexandra.


“Se ela deu, eu não sei. Acho que seria verdade. O remédio teria partido daqui, sim, que eu comprava pra esse meu filho, que às vezes ele não dormia”, justifica.

Na noite da morte, o padrasto de Rafael disse que estava trabalhando, o que foi confirmado pelos investigadores.

“Se ela agiu sozinha ou não, os próximos passos da investigação é que poderão nos apontar”, explica a chefe de Polícia do Rio Grande do Sul, Nadine Anflor.

A promotora não tem certeza se a mãe agiu sozinha ou se teve ajuda de outras pessoas.

“É possível que ela tenha recebido auxílio de alguém, até por causa do tamanho da criança: ele tinha por volta de um 1,55m e pesava por volta de 40kg, e a mãe não é muito maior. Ela deve ter por volta de 1,60m, e não é uma mulher que tenha uma força diferente das outras".

“Mãe protege, mãe cuida, mãe zela, dá a vida pelo filho. Mãe não tira a vida. Mãe não faz o que ela fez”, comenta a mãe do melhor amigo de Rafael.


A mãe do amigo ainda não se conforma.

“Me dá dor no coração, porque ela pode ficar 20, 30 anos, não sei quantos anos presa, mas o Rafael não vai voltar mais”, emociona-se Jaqueline.

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