"A luz do meu filho se apagou", diz mãe de jovem atingido por bala perdida - Baixada Viva Notícias

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"A luz do meu filho se apagou", diz mãe de jovem atingido por bala perdida

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Alegre, sorridente, cheio de vida, amante dos esportes e batalhador. Os adjetivos que parentes e amigos usam para descrever Caio Gomes Soares se repetem e confirmam o tamanho da perda. 

Na manhã de ontem, o estudante de Educação Física, de 23 anos, se tornou mais uma vítima da violência no Rio. 


Ele foi atingido por uma bala perdida, dentro de casa, no Catumbi, na Zona Central da cidade, nesta segunda-feira, dia 19, e se foi nos braços da irmã, Isabella, de 24 anos. O velório de Caio será nesta terça-feira, às 15h30, na Capela 1 do Cemitério do Catumbi.

Maria José Andrade, a Zezé, mãe de Caio, já estava na casa onde trabalha há 33 anos como doméstica, no Flamengo, Zona Sul do Rio, quando recebeu a notícia devastadora da morte do filho.


— Minha filha está arrasada. Só estavam os dois em casa. Ela é fonoaudióloga e estava se arrumando para sair pra trabalhar. Ele morreu nos braços dela. Minha família está destruída — diz ela. — Falar do Caio é falar de coisas boas. 

Ele estava quase se formando, já trabalhava com esporte e dava aulas para a terceira idade. Eu costumava falar para os meus dois filhos: “Eu nasci onde o vento faz a curva e não tenho nada, nem bens materiais pra deixar pra vocês, mas vou deixar educação. Porque quem não sabe ler e escrever, vê com os olhos dos outros”. 

A gente sempre vê isso, mas nunca acha que vai acontecer com a nossa família. Nunca imaginei que um tiro ia entrar na minha casa.

Mas, infelizmente, aconteceu, e a luz do meu filho se apagou. Os sonhos dele morreram. A gente precisa de mais segurança.

Caio sempre foi apaixonado por esportes e, segundo amigos, ao longo do ensino médio participou de torneios de diferentes modalidades. Ingressou na faculdade de Educação Física da Uerj, estava prestes a se formar e já trabalhava na área, dando aulas para a terceira idade.

Aos fins de semana, complementava a renda atuando como bartender em eventos, além de ajudar a mãe a realizar festas infantis. Tinha o sonho de se formar, ser bem sucedido e dar uma casa própria para Zezé.

— Ele tinha aqueles sonhos de garoto, de ser personal trainer, ganhar dinheiro para ter uma vida melhor. Ele sempre viu o meu sacrifício, de trabalhar de segunda a sexta e fazer bolos no fim de semana e dizia: “Eu ainda vou te dar uma casa, pra você sair do aluguel” — relembra a paraibana de 49 anos. 

— Trabalhei muito para dar a eles uma vida melhor do que a que eu tive. E hoje uma bala tira a vida de um menino que só queria trabalhar e ter a casa própria dele. O Caio tinha tudo para ser feliz.

O rapaz é lembrado por parentes e amigos por sua alegria

— Caio era muita luz. Ele foi muito querido por todos e sempre vai ser. Espero que outras pessoas não passem por isso — afirma Raquel Corrêa Máximo, de 24 anos.



Fonte: Jornal Extra

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