Manifestação contra o fim do Auxílio Emergencial vai ocorrer na próxima quarta-feira (09) em Brasília - Baixada Viva Notícias

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Manifestação contra o fim do Auxílio Emergencial vai ocorrer na próxima quarta-feira (09) em Brasília

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A Esplanada dos Ministérios, em Brasília, vai ser o local da nova manifestação da ONG 

Nesta quarta-feira, a ONG Rio de Paz vai fazer uma manifestação contra o fim do auxílio emergencial, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. 


Desta vez, a ONG vai erguer, no local, vários barracos simulando uma favela, com uma mesa de 5 metros cheia de pratos vazios e ocupada por famílias que dependem do auxílio emergencial. 

Segundo o Ministério da Cidadania, mais de 66 milhões de pessoas receberam o benefício, contabilizado o número de integrantes de uma família, a ajuda chega a mais de 126 milhões de brasileiros, o que corresponde a 60% da população do Brasil. 


A previsão é de que o benefício termine neste mês, sem prorrogação, como já anunciou o governo federal. 

O Rio de Paz tem percorrido as comunidades cariocas ouvindo os moradores que sobrevivem desse benefício. Os relatos são de desespero, visto que a ajuda é usada para comprar alimentos. Sem o auxílio, o medo é a fome. 

Para o presidente da ONG, Antonio Carlos Costa, essas pessoas serão as mais afetadas com o fim do benefício que recebem desde maio: "Acabar com auxílio emergencial é crime. 

Estamos dentro da favela. Visitando barracos. Ouvindo moradores. Vai bater desespero no desempregado. 

Desempregado não por ser vagabundo, como se costuma rotular o pobre que não trabalha, mas por não encontrar emprego por mais que se esforce. 

Essa dívida social é do Estado brasileiro, e só pode ser paga por ele", disse Antonio Carlos.

No último dia 24, ao ser questionado sobre a possível prorrogação do auxílio emergencial, o presidente Jair Bolsonaro disse torcer para que isso não ocorra e respondeu: "pergunta para o vírus".


Protesto nas redes sociais

A campanha pela permanência do auxílio emergencial pelo Rio de Paz começou há alguns dias em suas redes sociais @riodepaz. 

Nelas, estão publicados vídeos de pessoas contando como passarão a viver sem essa ajuda. Os posts também pedem que seja compartilhada a #NãoAoFimDoAuxílioEmergencial.

Pandemia

De março até setembro, o Rio de Paz distribuiu 30 mil quentinhas, 3.400 cestas básicas, 150 mil hambúrgueres e cartões alimentação a moradores das favelas do Rio, como Jacarezinho e Mandela, na Zona Norte. 

Além dos alimentos, durante a crise sanitária, a ONG doou 2.500 kits de higiene, 6.500 máscaras, dois mil folhetos com informações sobre o coronavírus e produziu um vídeo sobre a covid-19 para circular no WhatsApp moradores das favelas e nas redes sociais.

O Rio de Paz também organizou duas manifestações na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio este ano. 

Os protestos foram para mostrar o descaso com que o governo vem tratando a pandemia e em memória dos mortos pela covid-19 que, em agosto, chegou a 100 mil brasileiros. Quatro meses depois, temos quase 200 mil mortos pela doença.


Fome

Em setembro deste ano, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que o Brasil tem 10,3 milhões de pessoas vivendo em insegurança alimentar grave, ou seja, passam por privação severa no consumo de alimentos podendo chegar à fome, incluindo crianças. 

Os dados analisados são de 2017 e 2018 e maiores que os de 2013 quando o estudo foi feito com base na antiga Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (Pnad).

A pesquisa mostrou ainda que, numa população de 207,1 milhões de habitantes, 56 milhões estão em insegurança alimentar leve e 18,6 milhões de pessoas, em insegurança alimentar moderada.

O estudo ressaltou também que lares chefiados por mulheres e negros são os que passam mais fome, perfil esse dos assistidos pelo Rio de Paz. Desse total, 7,7milhões são moradores de área urbana e 2,6 milhões de regiões rurais.

De acordo com a ONU, a pandemia deve elevar o número de pessoas subnutridas este ano no mundo. 

Em 2019, 690 milhões enfrentavam essa situação. Em 2020, estima-se que até 132 milhões de pessoas a mais poderão passar fome.



Por O Dia

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